O Them Crooked Vultures é destaque nas úlimas edições das revistas Rolling Stone brasileira (com a atriz Alinne Moraes na capa) e americana. Na dos EUA o grupo aparece na capa. A entrevista das duas é a mesma.
Segue a matéria com o grupo:
O PASSADO É O FUTURO
Separados, eles tocaram em algumas das bandas mais influentes de todos os tempos. Mas Dave Grohl, John Paul Jones e Josh Homme podem ter deixado seu melhor uns para os outros. O resultado desta união tem nome: Them Crooked Vultures.
No festival Austin City Limits (Texas), repleto de nomes como Pearl Jam, Dave Matthews Band e Kings Of Leon, a maior atração do fim de semana era uma banda que não havia sequer lançado um álbum: Them Crooked Vultures, o novo trio formado pelo baixista do Led Zeppelin, John Paul Jones, com Josh Homme (do Queens Of The Stone Age) nos vocais e guitarra e – de volta à bateria – Dave Grohl. E não só o público do festival estava empolgado – artistas como Ben Harper e a dupla Stone Gossard e Jeff Ament, do Pearl Jam, lotaram a lateral do palco principal enquanto o trio fazia seu show. “A expectativa das pessoas é alta, mas elas não sabem exatamente o que diabos esperar. Nunca participei de uma banda assim”, diz Grohl. * “Nunca nem ouvi falar de uma banda como esta”, completa Homme. *”Eu não precisava do trabalho. Mas precisava tocar”, define Jones.
DAVE GROHL
“Não tínhamos nenhum grande plano ou algo assim, só queríamos fazer alguns shows, e conseguimos”
Por Matt Coyte
Você pode levar o crédito por ter montado do Them Crooked Vultures?
Ah, não sei. Conheço o Josh há muito tempo. Eu o vi pela primeira vez quando fomos a um show da banda antiga dele, o Kyuss. Tínhamos espíritos semelhantes. Aqueles caras eram como nós, punks que ouviam Black Flag, Creedence, o mesmo tipo de coisa que eu escutva. Eles haviam acabado de lançar o segundo disco, Blues for the Red Sun, e me lembro de ter ficado impressionado. Depois veio o Queens of the Stone Age e fiquei passado. O primeiro álbum foi enorme, e daí Rated R veio e deixou todo mundo encantado. Josh e eu ficamos amigos e tivemos a chance de trabalhar juntos algumas vezes. Ele me pediu para tocar bateria no Songs fot the Deaf, o que foi bastante divertido. Aquele disco ficou incrível.
Como vocês se juntaram a John Paul Jones?
Encontrei com ele pela primeira vez em 2005, quando ele tocou mandolim no disco In Your Honor, do Foo Fighters. Acho que havia uma semente da ideia naquela época, e eu queria fazer alguma coisa que o envolvesse. Um pouco depois, apresentei uma entrega de prêmio a Jimmy Page, Robert Plant e John Paul Jones. Naquele dia, contei ao John que estava pensando em montar esse projeto com o Josh, do Queens of The Stone Age, e ele balançou a cabeça e disse: “Conheço o trabalho dele, gosto muito.” Não soube bem se aquilo tinha entrado por um ouvido e saído pelo outro, mas o vi um tempo depois e ele perguntou: “O que está acontecendo com aquele projeto?” Então liguei para o Josh e disse: “Vamos nessa!”
Quando você apresentou o Josh ao John Paul Jones?
Bom, fiz minha festa de 40 anos em um restaurante de temática medieval. É um ótimo lugar para se ter uma crise de meia-idade. Estava no banheiro, às 2h da manhã, fumando um baseado e pensei: “Que diabos estou fazendo? Tenho 40 anos! É hora de me organizar!” Mas então achei que seria educado convidar o John Paul para ver o projeto, e queria que ele conhecesse o Josh… e ele era do Led Zeppelin! Então fiz eles se sentarem juntos e fiquei sentado um degrau acima deles, olhando para baixo e vendo eles se entrosarem, e pensei:”Caramba! Vai rolar mesmo!”
E aí vocês simplesmente se juntaram e tocaram?
Três dias depois, estávamos no estúdio do Josh. Não dá pra dizer que fizemos uma jam. Não falamos sobre o que iríamos fazer, os caras simplesmente montaram alguns pedais, ligaram na tomada e começamos a tocar. Não discutimos nada, só começamos a tocar como um grupo, logo de cara.
Você ficou perturbado no começo? Afinal, você estava em uma banda com o baixista do Led Zeppelin…
Quando toco com o Vultures fico muito pilhado. Bato tão forte na bateria e me sinto tão cheio de energia…
Algumas pessoas diriam que você já era um baterista energético antes disso…
Bom, sou muito energético agora! De vez em quando olho pra cima e penso: “A forma como toco vem tanto de ver o Bonzo (John Bonhan, falecido baterista do Led Zeppelin) e o JPJ tocando junto no Zeppelin e agora estou aqui, trancado com esse músico maravilhoso”. Fico pensando: “Eu e Jonh Paul Jones somos a cozinha da banda!”
Vocês sempre planejaram gravar um álbum inteiro?
Originalmente, vimos isso como um dos projetos da Desert Sessions do Josh, em que tocaríamos, passaríamos uma semana naquilo e simplesmente lançaríamos. Mas depois de três horas no estúdio, pensei: “Isto é especial demais.” Quer dizer, algumas coisas que o Josh trouxe, JPJ e eu ficávamos: “Mas como assim, Josh?” 
E você já tinha trabalhado com Josh em estúdio antes.
Na verdade, não. Quando gravei com o Queens, toquei bateria por uma semana e depois fui embora, estão nunca estive em estúdio com ele, ao mesmo tempo. Mas neste álbum ele trabalhou muito: tocando guitarra, fazendo os vocais e letras. Algumas das melodias que ele canta são muito melhores do que qualquer coisa que já tenha feito. Fiquei orgulhoso. Não como se ele fosse meu irmão caçula, mas…
O cara é meio grande para isso, aliás.
Ele trouxe muito para este disco, cara. Há muita coisa incrível. Algumas das ideias eram excelentes. Quando tocamos para um público que só ouviu aquele trechinho estranho na internet, sento atrás da bateria e fico batendo muito forte, e quando rola aquela primeira mudança de tempo brusca, só vejo queixos caindo no chão. É a melhor sensação.
Vocês tentaram manter a banda em segredo até o lançamento do disco?
Bem, algumas coisas aconteceram poucas semanas antes do nosso primeiro show. A esposa do Josh, Brodie, estava dando uma entrevista sobre a banda dela, a Spinerette, quando o jornalista perguntou sobre um boato de um projeto paralelo, e ela respondeu: “Não tenho a liberdade de falar isso”, então as pessoas começaram a especular. Logo depois disso, o Jesse Hughes, do Eagles of Death Metal, estava dando uma entrevista para uma rádio e o entrevistador perguntou se o Josh iria tocar bateria nos shows seguintes. O Jesse foi direto ao ponto: “Não, o Josh está em estúdio gravando com o Them Crooked Vultures, Dave Grohl, John Paul Jones, vai ser ótimo, etc. Daí o entrevistador diz: “Então está confirmado?”, e o Jesse fez uma pausa de 30 segundos e respondeu “Ah, eu provavelmente não deveria ter dito aquilo” (gargalhadas).
Vocês achavam que conseguiriam manter o segredo?
Sabíamos que haveria um momento no qual isso seria revelado. Não tínhamos nenhum grande plano ou algo assim, só queríamos fazer alguns shows, e conseguimos. Nosso primeiro show foi em Chicago, na época do Lollapalooza, e foi excelente. Ninguém do público sabia o que esperar.
Não foi estranho, depois de tocar para públicos que cantam todas as músicas do Foo Fighters?
O legal desta banda é que, quando me perguntam sobre como é o som dela, posso responder que ela soa como Josh Homme cantando e tocando guitarra, com o John Paul Jones no baixo e o Dave Grohl tocando bateria. E é exatamente isso.
JOHN PAUL JONES
“Depois de tocar com a melhor banda do mundo, estou feliz de estar com estes músicos”
Por Rod Yates
Vocês estão no meio de sua primeira turnê pelos Estados Unidos. Como descreveria a sensação?
É provavelmente a banda mais engraçada da qual participei. Dave e Josh são uns palhaços fora do palco. Os técnicos são legais, nosso empresários são bons, é um grupo feliz.
Não foi assim no resto da sua carreira?
Ah, sim, o Zeppelin era um grupo feliz… É que isso foi há muito tempo.
O Led Zeppelin era famoso por seguir a intuição no palco. Você acha que está desenvolvendo algo semelhante com Dave e Josh?
É, já estamos improvisando. Percebi que o truque é tocar com músicos realmente bons, e eles são. Dave está a toda, de verdade. Mas o Josh é ótimo, está se tornando um dos meus guitarristas preferidos.
O que você procura em um parceira musical?
Intuição, acho. Você tem de tocar com músicos que escutam, e (Dave e Josh) ouvem de verdade. É como nos velhos tempos. É muito gratificante conhecer outros músicos para quem você não tem de explicar as coisas.
Qual era sua relação com o Dave antes de formar o Them Crooked Vultures?
Conheci o Dave há uns três ou quatro anos, toquei no In Your Honor. E ele veio (ao Reino Unido, no ano passado) nos apresentar um prêmio, e disse: “Estava pensando em fazer algo com um amigo meu, o Josh, e se você quiser fazer um pouco de bagunça, dá um toque”. Depois de um mês ou dois, simplesmente liguei para ele perguntando: “Você ainda quer fazer aquilo?” E ele: “Claro, vem aqui”.
É verdade que a festa foi no restaurante temático Medieval Times?
É, foi bastante peculiar! (risos) Todos usamos coroas e gritávamos pelo Cavaleiro Azul. Dave se sentou atrás de mim e de Josh, e o Josh estava um pouco envergonhado, dizendo: “Ah, não somos sempre assim!” Depois fomos ao estúdio do Josh em Los Angeles, ligamos os instrumentos, perguntamos “O que fazemos?” e começamos a tocar. As coisas começaram a se encaixar e pensamos que, na verdade, aquilo poderia ser bom.
Qual foi o ponto de partida da Jam? Uma cover?
Não, só começamos a tocar. Não sei se eu comecei ou se foi o Dave, mas encontramos um encaixe. O Josh começou a tocar junto e foi natural.
No início você tinha alguma sensação de que Dave e Josh estavam maravilhados com você?
Sei que eles são grandes fãs do Zeppelin. Não sei… Sou um tanto pé no chão. É difícil dizer, na verdade.
Quem dá as ordens na banda?
A opinião de todos tem o mesmo peso, somos iguais. Era o mesmo com o Zeppelin – quem tivesse uma boa ideia a contava, não importava que era.
Dave sempre declara seu amor pelo baterista do Led Zeppelin, John Bonham. Como ele é em comparação ao John?
Ele está chegando lá (risos). Gosto de pensar que estou tirando o Dave lentamente de sua concha… não, quanto mais nos conhecemos, melhor fica, e estamos começando a pensar nas mesmas batidas ao mesmo tempo, o que torna a banda muito mais poderosa, porque tudo se encaixa.
Vocês pensaram no Dave para a reunião do Led Zeppelin, no ano passado?
Na verdade, não. O objetivo daquele show era um tributo à vida do (cofundador da Atlantic Records) Ahmet Ertegun, e o Jason (Bonhan, filho de John) estava escolhido desde o início. Ele foi tremendamente útil nos ensaios porque conhecia tudo. Tentávamos ir de uma música para outra, e eu olhava para o Page e perguntava: “Como fazíamos isso?” E ambos olhávamos para o Jason, e ele dizia: “Bom, em 1972 vocês faziam desse jeito e em 1974 era de outro jeito”. Ele era como o arquivista musical.
Vocês chegaram perto de fazer uma turnê sem Robert Plant?
Não queríamos voltar com o Led Zeppelin sem o Robert, mas pensamos: “Por que não começamos uma banda diferente, com um vocalista diferente, e só fazemos coisas novas?” Simplesmente não funcionou, não conseguimos achar um vocalista.
Como descreve o disco do Vultures?
Como todos os álbuns que gravo, é algo que quero ouvir. Pensamos: “Esta é a chance de fazer algo vital de verdade”. E não estávamos tentando pensar no quanto venderia, simplesmente fizemos o que gostamos de fazer.
Dave e Josh lhe ensinaram algo novo?
Ah, sim. Acho que estou tocando melhor do que nunca. Do ponto de vista instrumental, estou fazendo coisas que provavelmente não tinha feito antes. O Josh tem essa forma impressionante de ver as coisas. Percebi que, quando ele toca um riff, parece direto, mas não é. Gosto disso e comecei a ver minhas próprias composições, e formas de tocar, um pouco desse jeito.
Como foi o primeiro show, em Chicago, em agosto?
Estava interessado em ver como seria, porque é estranho tocar 11 ou 12 músicas para as pessoas sabendo que elas nunca as haviam escutado. Foi uma sensação um pouco engraçada, mas ótima. Não há nada entre você e o público, é tipo “aqui está, o que vocês acham?” E o público ficou enlouquecido.
Fora os trechos do Youtube, não há músicas disponíveis. Essa foi uma decisão consciente para criar uma sensação de mistério?
Foi. Não gosto dessa badalação corporativa estúpida, acho que a música deve falar por ela mesma, e foi meio o que aconteceu. Agora o termo “supergrupo” – que sempre odiei – está se espalhando, mas espero que as pessoas não fiquem desanimadas com isso.
Você chegou a pensar que sua época de entrar para uma banda de rock havia terminado?
Sempre quis tocar novamente ao vivo, mas antigamente não conseguia pensar em algum outro músico com o qual quisesse tocar de verdade. Depois de tocar com a melhor banda do mundo, é tipo: “Bom, o que fazer agora?” Mas estou muito feliz de estar com esses músicos – eles definitivamente estão entre os melhores.
JOSH HOMME
“Só quero fazer minhas coisas e que as pessoas gostem delas. Não estou tentando superar ninguém”
Por Matt Reekie
Dave Grohl pode levar todo o crédito por montar o Them Crooked Vultures? Ele falava sobre isso há quatro anos.
Não acredito nesse negócio de “falar sobre isso há quatro anos”. Ele definitivamente tem todo o crédito por montar a banda, mas não me lembro dele dizendo nada há quatro anos. Ele e eu sempre buscamos uma chance de tocar juntos, e no final do ano passado ele me perguntou: “Que tal o John Paul Jones?”, e meio que pensei que ele estava brincando. Parte de mim ainda acha que ele está brincando.
O John paul Jones é o melhor músico da banda?
Bom, sempre acredirei que, quando sou o pior músico de qualquer banda, a banda será boa. Amo quando sou o pior músico, porque é quando sei que vou melhorar. Tipo, temos o Alain Johannes (do Queens of The Stone Age) tocando guitarra ao vivo conosco, então realmente sou o pior músico da banda, e isso é incrível.
Como guitarrista e vocalista da banda, você teve a maior parte das ideias básicas para as músicas?
Eu diria que acabei trazendo muito do mármore que esculpimos juntos. O que é realmente legal é ter outras pessoas ali de quem você realmente quer escutar o que têm a dizer e realmente quer que elas tenham um impacto sobre o que está acontecendo. Além disso, não há ego nenhum ali. É obrigatório dizer se você gostou ou não. Você não tem permissão para não dizer nada. Acho que, provavelmente, foi a coisa mais difícil que já fiz. É como: “Ah, sem pressão, só escreva a melhor coisa que você já compôs aqui e agora!” Depois da nossa primeira jam juntos, pensei ao voltar para casa: “Graças a Deus deu certo, porque caso contrário seria como dizer que, entre eu e Dave e John, não conseguimos criar algo que curtíssemos”. Pensei que a pressão tinha começado no momento em que Dave perguntou se faríamos mesmo aquilo. Então, só naquele minuto, senti alívio. Adoro superar as coisas e amo um pouco de luta, então realmente era minha praia. 
Obviamente para o Dave se tratava de seu fetiche pelo John Bonhan. E quanto a você – como encarou a ideia de ser Jimmy Page e Robert Plant em uma pessoa só?
Que bom que nunca pensei sobre isso. Acho que teria sido um erro enorme pensar nisso dessa forma. Era como: “Ok, que tipo de música queremos tocar, como queremos soar?” Essa era a verdadeira pergunta, porque você essencialmente está em uma sala com pessoas que podem fazer tudo, mas, quando se consegue fazer tudo, o que fazer primeiro? Mas, depois de pouco tempo, ficou aparente que não precisávamos fazer nada – quando você consegue fazer qualquer coisa, não faça nada, só seja você mesmo. É por isso que é apenas uma representação do Dave tocando bateria, John tocando baixo e eu tocando guitarra e cantando. Se eu tivesse pensado nisso do jeito errado, seria eu em uma ponta da escala e Kut (Cobain), Jimmy Page e Robert Plant na outra ponta da escala, mas não quero fazer isso. Só quero fazer minhas coisas e que as pessoas gostem delas. Não estou tentando superar ninguém.
De quem foi a ideia de fazer aqueles vídeos no Youtube? Parecia uma jogada de marketing viral bem simples, mas acabou funcionando bem para criar interesse pela banda.
Acho que depende do seu nível de amargura. É uma jogada de marketing viral inteligente se tudo vai mal no mundo, mas, se você é como nós, é só uma forma legal de meio que sussurrar em um beco: “Ei, venha aqui!” Para mim, é como a diferença entre uma mulher usar lingerie e ficar totalmente nua. Estamos fazendo shows e agora ninguém que vai nos ver havia ouvido as músicas, então é um momento realmente especial. É meio como fazer as pessoas aceitarem ir ver sua surpresa. Em uma época na qual não se pode mais ter segredos e as pessoas precisam saber tudo sobre qualquer coisa, ninguém sabe nada sobre isso, o que, na verdade, é lindo.
Você acha que o público espera que seja algo do tipo Led Zeppelin mais o Queens of The Stone Age mais o Nirvana?
O engraçado é que é! Sei que no fim isso não faz sentido, mas é o que amo sobre a linguagem. Quando a linguagem não consegue se comunicar, a música vence. Sinceramente, a música é minha religião desde criança e só queria expressar as coisas em mim que não entendo ou não sei como vocalizar. Até agpra, a música é a única coisa que encontrei que nunca está errada – é só sua opinião. Então, acho que, neste caso, realmente soa como elementos dessas bandas esmagados juntos para criar este animal que não é nenhuma dessas coisas.
Então o disco surgiu de forma bem fácil?
Terminamos as faixas bem rápido, porque todos sabem tocar. Literalmente tocávamos uma mesma música três vezes. Pensávamos: “Poxa, gostei daquilo, podemos tocar mais uma vez, só para nós?” Mas depois das músicas feitas, foi necessário pensar um pouco nelas, porque eu não tinha nenhuma melodia ou canção. Então, tivemos que meio que construir canções e vocais em volta de tudo o que fizemos instrumentalmente. Essa é a coisa mais difícil de fazer. Jones e eu passamos um mês juntos no estúdio enquanto o Dave trabalhava na coletânea do Foo Fighters. Eu fazia os vocais e ele e eu fazíamos os overdubs juntos, e foi aí que Jones e eu realmente ficamos amigos, porque acontece de ele ser tão sombrio quanto eu. Sabe, quanto mais loucas minhas letras ficavam, quanto mais loucas as melodias ficavam, ele dizia “Vai, vai, vai!” Era uma daquelas situações nas quais você está realmente em um buraco com alguém e passa a conhecer de verdade essa pessoa – sinceramente. Porque esta música tem de ser honesta, tem de ser real ou não é nada. Então foi um toque interessante. Foi aí que este álbum ficou bom, quando Jones e eu ficamos amigos, enfrentamos este disco e chutamos a bunda dele.
Fonte: Rolling Stone Brasil